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Ilhas Sicília e Sardenha

| 21/10/2014 | 23:10

Na semana passada falamos sobre as regiões do Sul da Itália, que engloba Puglia, Campânia, Basilicata e Calábria. Hoje faremos um breve apanhado sobre a viticultura das famosas ilhas situadas no bico da bota, a Sicília e a Sardenha. Vamos lá:

Sicília – História – Os Gregos habitaram a Sicília no século 5 a.C e deixaram como herança aos italianos uma cultura rica na produção de vinhos. Dizem, inclusive, que os vinhos lá produzidos eram os preferidos do imperador Julio Cesar e batizaram a ilha de Enotria, ou seja, “A Terra do vinho”.

Diego Cusumano, renomado produtor de vinhos sicilianos, define assim: “A Sicília não é uma ilha, é um continente!”. Bom, exageros à parte, sou fã dos vinhos da Sicília, mas a viticultura por lá deu uma guinada mesmo somente nos últimos 30 anos. Antes disso, a ilha era famosa apenas pela produção do vinho Marsala.

Uvas – Na verdade, a situação por lá mudou quando os produtores perceberam o potencial do seu Terroir para as outras variedades de uvas, tais como a emblemática uva Nero D’Avola e as francesas Chardonnay, Syrah e Cabernet Sauvignon. Mas não é só, pois vale destacar as outras variedades cultivadas, quais sejam: as brancas Inzolia, Catarrato, Grecanico, Fiano e Grillo; tintas Perricone e Frappato.

A Sicília também conta com 17 Denominações de Origem Controlada (DOC), valendo destacar a de Marsala, Faro de Messina, Moscato de Siracusa e duas ilhas vulcânicas que perpetuaram os vinhos doces desde a antiguidade, Moscato de Pantelleria e Malvasia Lipari.

Produtores – São vários produtores que desempenham um papel importantíssimo para os vinhos de qualidade da Sicília, frisando: Benanti, Castellare di Castellina, Cusumano, Donnafugata, Gulfi, Masseria Trajone, Morgante, Planeta e Tasca D’Almerita.

Sardenha – Uma curiosidade sobre a Sardenha é que três quartos das suas vinhas foram simplesmente arrancadas do solo nos últimos 15 anos em consequência do programa da União Europeia que visa a reduzir o estoque excessivo de vinhos europeus. Que tristeza! Mas mesmo assim ainda existem talentosos produtores, grandes cooperativas e um bom Terroir que asseguram os vinhos de qualidade.

As uvas cultivadas também são bem distintas, como as tintas Carignano (Carignan), Cannonau (Grenache) e Nieddera. Já as brancas, destacam-se Vermentino e Malvasia di Bosa. As Denominações de Origem que valem a ressalva são o Vermentino de Gallura, Nuragus di Cagliari e o famoso Vernaccia di Oristano, uma raridade, vinho fino seco de aperitivo feito na costa leste, praticamente em extinção. Quanto aos produtores, merecem destaque: Argiolas, Cantina Gallura, Santadi, Capichera e Contini.

É isso! As ilhas do Sul da Itália estão em ascensão meteórica e são dignos de atenção. Seu clima é favorável, produtores de renome e vinhos muito bem feitos. Voltaremos a falar um pouco mais sobre suas diferentes uvas e tipos de vinho, principalmente os de sobremesa que são excelentes. Por enquanto, Salute!

MURILO AZEVEDO PINTO é sommelier e consultor de vinhos. e-mail: azevedo-pinto@uol.com.br. Instagram: @murilovinhos


Link original: https://www.jj.com.br/turismo/ilhas-sicilia-e-sardenha/

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