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Sul da Itália

| 14/10/2014 | 21:40

A viticultura na Itália é a base econômica de dezenas de milhares de agricultores que possuem em média menos de um hectare de terra. No sul existem excelentes vinícolas particulares que produzem e engarrafam o seu próprio vinho, mas pasmem, porque lá 80% da colheita são vinificados por grandes cooperativas que vendem vinhos para outros produtores.

O Sul sempre ficou, digamos, na sombra das regiões mais famosas da Itália, como a Toscana, Vêneto e Piemonte, além de suas encantadoras vizinhas, a Sardenha e a Sicília, mas hoje mostra que tem potencial e qualidade para obter o mesmo brilho e produz vinhos notáveis. A região Sul se divide em quatro Sub-regiões: Puglia, Campanha, Basilicata e Calábria. Vamos fazer um breve apanhado de cada uma delas:

Puglia – Trata-se de uma região bonita e plana como um campo de futebol europeu e no verão sofre com os meses de sol intenso. Já a chuva, só aparece após a colheita e com isso os cachos amadurecem em sua plenitude. Não é à toa que grandes nomes do vinho italiano também criaram a sua base por lá, valendo citar: Antinori e Girelli. A principal uva da região de Puglia é a Primitivo di Manduria, a mesma que a Zinfandel Californiana. Mas também desfruta do cultivo de outras uvas de renome, como a Negroamaro e Malvasia Nera.

Campanha – o Monte Vesúvio, ao sul de Nápoles, oferece o Terroir ideal para a viticultura. O solo é rico em minerais e a área em volta do vulcão gera alguns dos vinhos preferidos desde os tempos romanos, o Lacryma Christi, obtendo inclusive a Denominação de Origem Controlada Vesuvio. Mas a região considerada de maior qualidade é de Taurasi, onde se cultiva a principal uva daquela região, a Aglianico.

Basilicata – Trata-se de uma pequena zona pobre e montanhosa situada bem na curva da “sola da bota”. Seus vinhedos se encontram a mais de 600 metros acima do nível do mar, desfrutam de um solo rico, mas enfrentam um inverno rigoroso. Mesmo assim, produzem grandes tintos e brancos doces elaborados com a uva Muscat.

Calábria – A região goza de 12 Denominações de Origem Controlada, mas apesar dos esforços e dedicação, pouco se beneficiaram da assistência financeira oferecida ao Sul da Itália, uma vez que a região apostou mais na parte turística e a população local não é muito exigente com a qualidade dos vinhos ali produzidos. A principal uva é a Gaclioppo, considerada rústica e gera vinhos muito tânicos.

Do Terroir – Em virtude da localização Sul e do famoso Siroco (vento quente vindo da África), detém o calor necessário para a maturação das uvas, sem falar da influência do Mediterrâneo que mantêm a temperatura noturna. O solo é granítico e vulcânico com argila e sal.

Produtores: São muitos os nomes do Sul da Itália com enorme prestígio, mas vale o destaque de alguns, tais como: A Vita, Di Majo Norante, Benito Ferrara, Antinori, Masseria Trajone, Candido, Cantina Del Locorotondo, Rivera, Caggiano, Molettieri, Librandi, Taurino, Mastroberardino, entre outros.
Bom! Eu ainda não conheço o Sul da Itália, trata-se de região que se transforma rápida e vigorosamente, prezando pela qualidade de seus vinhos. Com certeza voltaremos a falar sobre as suas Denominações de Origem e principais uvas. Enquanto isso, Salute!

MURILO AZEVEDO PINTO é sommelier e consultor de vinhos. e-mail: azevedo-pinto@uol.com.br. Instagram: @murilovinhos


Link original: https://www.jj.com.br/turismo/sul-da-italia/
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