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Cientistas encontram variante inédita do novo coronavírus com origem no AM

As mutações achadas podem significar que essa nova linhagem tem maior poder de transmissão


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Amazonas
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Pesquisas em andamento na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Amazônia apontaram que a nova variante do novo coronavírus encontrada em pacientes japoneses tem origem no estado do Amazonas. As mutações achadas no vírus, até então inéditas, criaram o que será uma provável nova linhagem brasileira.

Segundo os cientistas, ainda é cedo para ter certeza, mas as mutações achadas podem significar que essa nova linhagem tem maior poder de transmissão, visto que duas importantes mutações foram descritas simultaneamente na proteína Spike — que faz a ligação do vírus às células e está é relacionada a capacidade de transmissão do SARS-CoV-2 (como é conhecido o novo coronavírus).

Os dados apontam que a linhagem B.1.1.28, que está presente em todo o país e que é a mais frequente no Amazonas, sofreu uma série de mudanças.

Entenda as mutações

Naveca conta que a linhagem B.1.1.28 é a mais presente no estado (está em 47% das amostras colhidas entre abril e novembro) e uma das que mais circulam no Brasil. Entretanto, as amostras colhidas no Japão e pelo laboratório privado mostraram mutações significativas.

"Esses vírus são o B.1.1.28 com mutações na proteína Spike, e duas delas são importantíssimas. Mutações similares já foram associadas com a maior transmissão do SARS-CoV-2. É um vírus que passou por um processo evolutivo, que nos faz pensar em, talvez, uma nova variante brasileira", explica.

O pesquisador ainda diz que as mudanças criaram uma variante diferente, mas que têm semelhanças com aquelas achadas na Inglaterra e África do Sul. "As análises mostraram que essa mutação separadamente já trazia vantagem para o vírus [se transmitir mais]. Essas mutações preocupam bastante, e precisamos de mais tempo e análises para saber realmente se ele está associado a esse maior poder de transmissão."

Em um texto publicado ontem por pesquisadores da área de sequenciamento em um fórum internacional de debates científicos de virologistas, eles concluíram que as amostras colhidas "sugerem que essas sequências poderiam ser representantes de uma nova (não relatada) variante emergente", diz.

"O surgimento de novas variantes do SARS-CoV-2 abrigando mutações na proteína Spike, que podem impactar a aptidão viral e a transmissibilidade tem sido um problema de grande preocupação, particularmente após a recente identificação de duas cepas emergentes independentes no Reino Unido e na África do Sul com número anormal de mutações na proteína Spike que podem ter significado funcional", diz ainda o texto.

Ainda segundo Felipe Naveca, a Fiocruz Amazônia está em fase final de sequenciamento de amostras colhidas de pacientes no Amazonas no mês de dezembro.

A classificação e nomeação de uma nova linhagem não é feita no Brasil. "A decisão se as mutações vão ser classificadas em uma nova linhagem, após mais estudos, passa por uma curadoria internacional", explica.


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