Últimas

Lewandowski libera para Lula íntegra das mensagens trocadas entre Moro e procuradores da Lava-Jato

Ministro do STF tinha determinado que a Polícia Federal entregasse o material à defesa do ex-presidente, mas advogados não receberam os documentos


José Cruz/Agência Brasi
Com a decisão, o ex-presidente petista pode se tornar novamente elegível para as eleições presidenciais 2022
Crédito: José Cruz/Agência Brasi

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira a retirada do sigilo da ação na qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve acesso a mensagens da Operação Spoofing. As mensagens são parte da operação de 2019 que prendeu suspeitos de invadir celulares do ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro e de integrantes da força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba.

Lewandowski tinha determinado que a Polícia Federal entregasse o material a Lula, mas a defesa não obteve os documentos. Na semana passada, o ministro determinou novamente que o ex-presidente obtivesse as mensagens. Agora, Lewandowski retirou o sigilo do material. Procuradores da Lava-Jato pediram que o ministro reconsidere a decisão de entregar as mensagens a Lula e, caso o ex-presidente já tenha recebido, seja impedido de utilizá-las.

As mensagens que Lewandowski liberou para a defesa de Lula somam 50 páginas já foram divulgadas pela imprensa em 2019. O principal conteúdo é o que mostra que Moro e procuradores da Lava-Jato combinando estratégia sobre a investigação do triplex no Guarujá, na qual Lula foi condenado. Com base nessas mensagens, a defesa de Lula pede ao Supremo a nulidade da condenação, porque Moro não teria sido isento para conduzir o caso. Essa questão ainda não foi julgada pela Corte.

 

POSICIONAMENTO DE MORO

Em nota oficial publicada no Twitter, o ex-juiz Sergio Moro afirmou que as mensagens liberadas pelo ministro do STF foram obtidas “por meios criminosos”, com o objetivo de anular as condenações por crimes de corrupção. Moro classificou como “lamentável” a utilização das mensagens, que ele alega terem sido extraídas por hackers, “ignorando a origem ilícita''. O principal nome da Operação Lava Jato também declarou que não reconhece a autenticidade das mensagens, pois “não guarda mensagens de anos atrás”.

“Todos os processos julgados na Lava Jato foram decididos com correção e imparcialidade, tendo havido inclusive indeferimentos de vários pedidos da PF e do MPF e diversas absolvições (21% dos acusados foram absolvidos), com a grande maioria das condenações, inclusive do ex-presidente Luiz Inácio Lula da SIlva, mantidas pelas Cortes de Apelação e Tribunais Superiores”, argumentou.

Moro também se defendeu das acusações de que participava de um arranjo para executar a prisão de Lula antes das eleições de 2018. Segundo ele, as mensagens disponibilizadas por Lewandowski “não retratam fraude processual, incriminação indevida de algum inocente, (...) ou mesmo conluio para incriminar alguém ou para finalidade ilegal”.

Além disso, Moro afirmou que as interações entre juízes, procuradores e advogados, como documentado nas mensagens, “são normais em nossa praxe jurídica, não havendo nada de ilícito”. Ele finalizou a nota lembrando que o ministro Edson Fachin, do STF, submeteu ao plenário a análise para definir se o tribunal aceita ou não as mensagens vazadas.


Notícias relevantes: