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Estudo indica tendência de queda de casos de SRAG em oito capitais


Tomaz Silva/Agência Brasil
Dia D de vacinação contra a gripe no Leme, na zona sul do Rio de Janeiro.
Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

A nova edição do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revela que oito capitais brasileiras apresentaram sinais de diminuição de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) desde a segunda semana de janeiro. Segundo a Fiocruz, as capitais são Belém, Belo Horizonte, Brasília (Plano Piloto e arredores), Cuiabá, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo.

Divulgado nesta quinta feira (11), o boletim destaca que, embora Manaus também mostre sinais de queda, as informações relativas à cidade “ainda apresentam impacto importante do represamento, de modo que essa sinalização pode estar subestimando o cenário atual”. Entre os registros com resultados positivos para os vírus respiratórios, 96,7% dos casos e 99,1% dos óbitos são em decorrência do novo coronavírus, diz o documento.

O coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, alertou, porém, que uma série de fatores pode gerar falsa impressão de queda. Gomes citou, por exemplo, o aumento no represamento de dados a partir de dezembro, o que reflete na demora para registro e divulgação de casos identificados nas unidades de saúde.

Ele explicou que isso ocorre por aumento da demanda hospitalar, por esgotamento das equipes de saúde em razão da carga de trabalho ou, ainda, pela multiplicidade de sistemas de informação, o que levaria as equipes a preferirem notificar os sistemas locais em detrimento do sistema nacional, como o Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe).

Subestimativa

Marcelo Gomes informou que os boletins recentes do InfoGripe, ilustraram “o impacto que o aumento do represamento de dados no final do ano causou nas estimativas, gerando subestimativa e sinal de queda durante período em que ainda havia crescimento”. Ele afirmou, entretanto, que está havendo melhora gradativa em relação ao represamento, embora alguns locais ainda apresentem impactos importantes, como é o caso de Manaus.

O pesquisador destacou também que o represamento ocorrido em dezembro passado e no começo de janeiro gera efeito inverso quando os casos são avaliados por data de divulgação. De acordo com Gomes, o acúmulo de grande volume de casos antigos sendo divulgados ao longo do mês de janeiro gera uma impressão de aumento expressivo, apesar de estar associado a casos antigos, e não necessariamente a casos que estão ocorrendo agora.

Por isso, ele destacou a importância de dar preferência a análises com base em primeiros sintomas, data de internação ou data do óbito, e não data de divulgação de casos ou óbitos. “O Brasil tem grupos de pesquisa com experiência em lidar com o efeito do atraso para gerar estimativas adequadas como as utilizadas no sistema InfoGripe e InfoDengue, que servem de apoio à vigilância nacional de vírus respiratórios e arboviroses”, afirmou.

Em todo o território, a investigação indica que os casos notificados de SRAG mostram sinal de queda tanto de longo prazo (últimas seis semanas) quanto de curto prazo (últimas três semanas). No entanto, existem diferenças importantes no país, com algumas capitais e regiões interioranas mantendo a retomada do crescimento de casos de covid-19.

De acordo com a análise, o pico observado entre os dias 3 e 9 de janeiro aparenta interrupção do aumento de casos ocorridos ao longo da segunda quinzena de dezembro de 2020 nos dados nacionais, após o platô verificado entre final de novembro e início de dezembro. O estudo tem como base os dados inseridos no Sivep-Gripe até o dia 8 de fevereiro. Gomes ressaltou que, apesar dessa tendência, todas as regiões do país encontram-se na zona de risco, com ocorrências altas de casos e de óbitos de SRAG por covid-19.

Outras capitais

Na capitais de Roraima, Boa Vista, e da Paraíba, João Pessoa, o boletim indica sinal forte (maior do que 95%) de crescimento na tendência de longo prazo. Já Aracaju e Fortaleza apresentaram sinal moderado (acima de 75% de probabilidade) de crescimento na tendência de longo prazo.

Porto Velho mostrou estabilidade na tendência de longo prazo, interrompendo a curva de crescimento iniciada na penúltima semana de dezembro. Aracaju e Fortaleza acumulam cerca de seis semanas consecutivas com sinal de crescimento, enquanto Boa Vista registra cinco semanas consecutivas com sinal de crescimento. Vitória mostra sinal moderado de crescimento tanto na tendência de curto quanto na de longo prazo, o que pode impactar tanto o atendimento na capital quanto o potencial de transmissão, disse Marcelo Gomes.

O Boletim InfoGripe ressalta que, embora com sinal de queda, Manaus ainda apresenta padrão de defasagem importante para as estimativas de casos recentes. Gomes recomenda manutenção da cautela em relação ao cenário atual.

Macrorregiões de saúde

A análise de tendência dos casos semanais de SRAG até a quinta semana de 2021, encerrada no último sábado (6), para as macrorregiões de saúde, com base no município de notificação, mostra que apenas 11 dos 27 estados apresentam tendência de longo e curto prazos com sinal de queda ou estabilização em todas as respectivas macrorregiões.

Em 16 estados (Amazonas, Pará, Roraima, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), há pelo menos uma macrorregião estadual com tendência de curto ou longo prazo com sinal moderado (probabilidade maior que 75%) ou forte (probabilidade superior a 95%) de crescimento, diz o boletim.

Segundo Marcelo Gomes, a tendência apontada para as macrorregiões de Mato Grosso não são confiáveis, porque houve grande diferença entre os dados de SRAG reportados no Sivep-Gripe, usados pelo InfoGripe, e aqueles reportados no sistema próprio do estado, com grande subnotificação no Sivep-Gripe. “Além disso, as ressalvas feitas ao maior atraso de digitação no fim do ano observado nas capitais também se aplica às macrorregiões de saúde”, acrescentou.

Estima-se que já tenham ocorrido 183.313 casos de síndrome respiratória aguda grave neste ano, podendo variar entre 181.956 e 185.230 até o término da quinta semana de 2021.Considerando a presença de febre nos casos registrados, conforme definição internacional de SRAG, o total de casos estimados chega a 120.807, com oscilação entre 119.825 e 122.331 casos.

Registros

De 2020 até agora, foram reportados 754.025 casos de SRAG. Destes, 56.175 são referentes ao ano epidemiológico 2021, dos quais 28.816 (51,3%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 8.660 (15,4%) negativos e ao menos 12.619 (22,5%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os positivos, 95,2% foram Sars-CoV-2 (covid-19).

No ano passado, foram notificados 697.850 casos, dos quais 399.504 (57,2%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 209.316 (30,0%) negativos e ao menos 47.905 (6,9%) aguardando resultado. Dentre os casos positivos, 97,9% foram Sars-CoV-2.

A Fiocruz advertiu que os dados apresentados no boletim devem ser utilizados em combinação com demais indicadores relevantes, entre os quais a taxa de ocupação de leitos das respectivas regionais de saúde.


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