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Fiocruz recomenda que o município do Rio prorrogue medidas restritivas


Tânia Rêgo
Quiosques das praias do Rio estão fechados em cumprimento ao decreto municipal. As novas restrições impostas pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, para tentar combater o avanço da Covid-19, entraram em vigor nesta sexta-feira(5), e vão se estender até a próxima quinta-feira(11), em um período inicial de teste.
Crédito: Tânia Rêgo

Pesquisadores do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) emitiram hoje (8) uma nota técnica recomendando a prorrogação das medidas de distanciamento social adotadas pelo município do Rio de Janeiro desde 26 de março. Segundo a análise, as restrições reduziram a circulação de pessoas, mas ainda é cedo para qualquer flexibilização.

"Ainda que os dados sugiram que houve um aumento no distanciamento social em decorrência das medidas restritivas aumentadas, o efeito de mitigação no avanço da pandemia foi tímido", avaliam os pesquisador no texto, ressaltando que são necessários ao menos 14 dias e a adesão da população para que os efeitos positivos do distanciamento social sobre os dados epidemiológicos possam ser percebidos.

A nota técnica traz uma avaliação de uma série de indicadores sobre a pandemia e o distanciamento social, que consideram o período de 26 de março a 2 de abril, quando o município antecipou os feriados de Tiradentes e São Jorge e decretou o fechamento de praias e diversos tipos de estabelecimentos. As restrições foram prorrogadas até amanhã (9).

Para analisar a circulação de pessoas na semana analisada, os pesquisadores reuniram dados do Google Mobility Report, que comparam a movimentação atual de pessoas com o período antes da pandemia. Em fevereiro de 2021, a permanência em domicílio era 10% maior que em janeiro e fevereiro de 2020, e esse patamar subiu para 20% com a adoção das medidas restritivas no fim de março. 

As medidas impactaram fortemente em menos 60% o fluxo de pessoas em locais de trabalho, em menos 70% nas estações de transporte e em menos 50% em lojas e locais de recreação, o que, para a Fiocruz, mostra que as restrições adotadas foram eficazes. Já para estabelecimentos que permaneceram abertos, como farmácias e mercados, o fluxo cresceu 30%. 

Os cientistas avaliam que é necessário intensificar a fiscalização do cumprimento das medidas de prevenção em áreas de lazer, praias, farmácias, mercearias e supermercados. No caso desses estabelecimentos, como houve aumento da circulação, é necessário maior controle da entrada de pessoas.  

O estudo destaca que os registros de casos e óbitos apresentaram alta entre 26 de março e 2 de abril, quando as medidas começaram a  vigorar. Os cientistas explicam, no entanto, que são necessários 14 dias de distanciamento social, com adesão da população, para que o efeito positivo possa ser observado. 

Na nota técnica, os cientistas apontam ainda que o registro de novos casos ocorre com atraso, o que impulsiona a continuidade da tendência de aumento. Já no que se refere às mortes, a intensificação da alta no período analisado pode estar relacionada ao colapso na rede de serviços de saúde, já que o Rio de Janeiro passou de 90% de ocupação das vagas para pacientes graves com a covid-19.

No caso da taxa de ocupação das UTIs, o efeito positivo do distanciamento social pode demorar ainda mais a ser percebido, o que pode se dar apenas de três a quatro semanas após o início da adoção das medidas de prevenção, dizem os pesquisadores. Isso ocorre porque, mesmo que haja uma redução de casos, é necessário um intervalo de tempo até que a demanda excessiva de pacientes já contaminados seja atendida. Situação semelhante se dá com a incidência de síndromes respiratórias agudas graves, na qual o impacto do distanciamento social também demora mais a ser observado.

Além de alertar para maior fiscalização da entrada de pessoas em estabelecimentos essenciais como farmácias e mercados, a nota técnica destaca que é necessário que os demais municípios da região metropolitana adotem as restrições decretadas pela capital. A Fiocruz explica que há uma intensa circulação de pessoas entre essas cidades, e o Rio de Janeiro atua como pólo assistencial, recebendo pacientes das cidades vizinhas via regulação.  

"Desta forma, podemos dizer que o esforço isolado do município do Rio de Janeiro pode não resultar nos efeitos esperados para a redução das taxas de ocupação de leitos, bem como para reduzir a circulação do vírus, que não conhece fronteiras administrativas", alertam os pesquisadores.


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