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Turismo aposta em demanda reprimida e não teme passaporte covid

Segundo CNC, setor de turismo brasileiro perdeu 35,5 mil estabelecimentos em 2020


Enquanto países da União Europeia e de outras regiões avaliam a adoção de um passaporte covid, documento que atesta a imunização contra o vírus, como forme de impulsionar o setor de turismo de suas economias, o Brasil ainda patina no tema.

Ao mesmo tempo que diversos governos estrangeiros proíbem a entrada de brasileiros, diante da crise sanitária nacional, boa parte dos imunizados no país tomaram a vacina Coronavac, que ainda não foi aprovada pela União Europeia e, por isso, poderia não ser reconhecida como válida para um passaporte covid.

Agências de turismo e associações do setor no Brasil, no entanto, ainda não se preocupam com a exclusão, e contam com a explosão de uma demanda reprimida por viagens internacionais no final do ano para se recuperarem do baque da pandemia.

“É cedo para dizer que o brasileiro vai ficar de fora só porque existe passaporte de imunização”, diz André Coelho, especialista em turismo da FGV Projetos. O economista afirma que existe uma demanda reprimida por viagens internacionais e que a reabertura pode impulsionar as vendas.

Alexandre Sampaio, diretor da CNC (Confederação Nacional do Comércio, Serviços e Tuirsmo) e coordenador do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur/CNC), afirma que o passaporte covid ainda é uma conversa inicial e que a UE deve flexibilizar a medida.

“Existe uma pressão, os chineses já eram um mercado expressivo de visitação, são um potencial para a retomada do turismo no bloco”, diz.

Para Roberto Nedelciu, presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), a discussão sobre um passaporte covid ainda é incipiente e ainda depende de a Organização Mundial da Saúde (OMS) bater o martelo sobre a aceitação da Coronavac.

Coelho, da FGV, prevê que, com a reabertura das fronteiras, aconteça uma retomada rápida do setor, a depender da vacinação e do cenário econômico. “Não sabemos se vai ser uma crescente linear, é possível que suba num primeiro momento e que tenha uma pequena queda logo em seguida”, diz.

“Para ter brasileiro saindo, tem que ter turista entrando, tem que gerar lugares nos aviões”, afirma o economista. “Quanto maior o controle da pandemia, melhor sua imagem e capacidade receber e mandar turistas."

Agências e entidades do setor também acreditam que o desejo do brasileiro de viajar vai levar a uma retomada rápida. De olho nesse impulso, algumas empresas já se planejam para o fim do ano.

“A curto prazo, devemos focar em países que conseguimos entrar”, diz Aldo Leone, presidente da agência de viagens Agaxtur.

“Temos uma temporada pela frente, esperando que seja melhor”, diz Magda Nassar, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV). “O que ganhou força neste momento foi redescobrir o Brasil, enquanto aguardamos a reabertura das fronteiras”, afirma.

Segundo a CNC, o setor de turismo brasileiro perdeu 35,5 mil estabelecimentos em 2020 – queda de 13,5% em relação a 2019. O segmento é um dos mais afetados pelas restrições de circulação impostas para conter o vírus.

A desaceleração causada pela covid-19 fez com que os gastos no exterior despencassem. De acordo com o Banco Central, brasileiros despenderam US$ 860 milhões em viagens neste trimestre, ante US$ 2,9 bilhões em comparação com o mesmo período do ano passado.

Agências de intercâmbio estudantil, que trabalham com viagens de período mais longo, também esperam a retomada ainda em 2021. A expectativa é que países que estão com a pandemia sob controle ou com alto índice de vacinação, como Canadá e EUA, sejam os primeiros a receber estudantes brasileiros, diz Celso Garcia, sócio-fundador da CI Intercâmbios.

No entanto, com a perda de renda de muitas famílias de classe média, destinos mais baratos, como Irlanda, devem receber uma demanda maior do que antes da pandemia, diz Garcia.

A Iata (associação internacional de transporte aéreo) desenvolveu um passaporte próprio, o Iata Travel Pass, documento eletrônico em que são registradas as informações sobre vacinação e testagem do passageiro.

A entidade, no entanto, critica a falta de padronização entre as diversas iniciativas de passportes covid, o que pode levar à exclusão de países em que o ritmo de vacinação é mais lento. Por isso, a Iata também defende que pessoas que comprovem terem sido testadas contra o vírus possam viajar.

 


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