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Menina de 4 anos morta com tiro no ABC tinha paixão por animais, diz o pai

Ester Sigoli morreu após ser ferida com tiro no tórax em briga por vaga de garagem


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A menina de 4 anos morreu após ser ferida neste domingo (11), com um tiro no tórax
Crédito: Divulgação

Desde bebê, Ester de Oliveira Sigoli já deixava claro para os pais sua paixão pelos bichos. "Ela tinha uma comunicação com os insetos, com minhocas, e a gente deixava ela se sujar na terra, pois ela adorava", afirma o pai, o caseiro Jorge Willians de Oliveira Sigoli, 30 anos.

A menina de 4 anos morreu após ser ferida com um tiro no tórax, neste domingo (11), em Santo André (ABC). O suspeito pelo crime, Bruno de Freitas Lopes, 27 anos, estava foragido até a publicação desta reportagem. Sua prisão temporária foi decretada pela Justiça nesta terça-feira (13). Ele ainda é suspeito de ter atirado contra o pai da garota - que acabou ferido - após uma suposta desavença por causa de uma vaga de garagem.

Em seus dois últimos dias de vida, Ester fez o que mais gostava, segundo o pai: brincar com seus animais de estimação e com os primos, dois meninos, de 6 e de 3 anos, e uma garota de 2, que passaram o fim de semana na casa da vítima, na zona sul da capital paulista.

"No sábado e no domingo ela brincou com os primos, com as galinhas, com o galo e com o cachorro, e de bicicleta", afirmou o caseiro. De acordo com ele, apesar de Ester saber manusear com desenvoltura aparelhos eletrônicos, ela preferia brincar à moda antiga, principalmente com seus bichinhos de estimação.

Por causa disso, a família passou a conviver com duas galinhas, um galo, um gato e um cachorro. "A gente já estava planejando comprar mais galinhas, pois minha filha, além de gostar dos bichos, também ajudava a cuidar. Lembro a alegria dela quando achava algum ovo, ela corria para a cozinha e pedia para a mãe fritar na hora."

Além da paixão pelos animais, o pai falou que a maturidade da criança, e religiosidade, "eram sobrenaturais". "Ela era madura e ao mesmo tempo doce. Não gostava de coisa errada, eu até brincava chamando ela de velha."

Sigoli afirmou que a filha lhe falou, há cerca de um mês, sobre o desejo de "morar no céu, com Jesus Cristo, para só brincar e ficar longe das pessoas que só brigam e pensam em dinheiro." "O sonho dela foi realizado, de uma forma cruel. Quando ela nos falou isso, respondemos que a gente [pai e mãe] ia ficar sozinho, sem ela. Mas minha filha falou que o Papai do Céu ia cuidar da gente. Parecia que ela estava prevendo o que ia acontecer", afirmou o pai com a voz embargada.

Por volta das 20h30, quando a família desembarcava do carro, o suspeito já chegou atirando, segundo relatado pelo caseiro à reportagem. Ele foi ferido no braço e na perna esquerdos, e a menina na região do tórax. O atirador fugiu em seguida.

"Quando ele estava atirando, meu sobrinho de 6 anos se abaixou no banco e gritou que não queria morrer. Já minha filha ficou em pé, no banco traseiro, gritando 'papai, papai'. Foram as últimas palavras que ouvi dela, pois, depois que ela foi baleada, ficou inconsciente, acho que ela morreu antes de a gente chegar no hospital."

Mesmo ferido, Sigoli dirigiu até o CHM (Centro Hospitalar do Município), onde a morte de Ester foi confirmada. A equipe médica retirou dois projéteis, de revólver, do corpo do caseiro, que teve alta em seguida, quando foi ao 2º DP de Santo André prestar depoimento. O caso é investigado pelo 5º DP da cidade.

 

HISTÓRICO CRIMINAL 

O suspeito, segundo registrado pela polícia, já foi preso ao menos três vezes, sendo uma por roubo, outra por receptação de produto de origem criminosa e também por violência doméstica.

Segundo a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), Lopes deu entrada pela primeira vez no sistema prisional em 16 de janeiro de 2012, mesmo dia em que foi preso em flagrante por roubo, em Santo André. Ele permaneceu no CDP (Centro de Detenção Provisória) da cidade por três dias, quando foi solto para responder ao caso em liberdade.

Em 12 de agosto do ano seguinte, ele foi encaminhado à mesma unidade carcerária, por um crime de violência doméstica. Ele acabou solto 18 dias depois, "em virtude de extinção de punibilidade", de acordo com a SAP.

Lopes, que é identificado como mecânico em um dos boletins de ocorrência, voltou a ser preso em 9 de abril de 2015, quando deu entrada no CDP de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, pelo crime de receptação. Ele permaneceu atrás das grades até 15 de fevereiro de 2018, quando progrediu para o regime aberto.


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