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Marcha para Jesus vira show parado, exigirá vacinação e não terá Bolsonaro

Em anos anteriores, eram centenas de milhares de pessoas aglomeradas para uma caminhada


Adriano Vizoni/Folhapress
Carreata da Solidariedade, que substituiu a Marcha para Jesus em julho deste ano
Crédito: Adriano Vizoni/Folhapress

A Marcha para Jesus 2021 não vai sair do lugar. Pelo segundo ano consecutivo, a organização deste que é o maior evento evangélico da América Latina não recebeu autorização para acontecer "nos moldes anteriores e já tradicionais", segundo a Prefeitura de São Paulo.

Em anos anteriores, eram centenas de milhares de pessoas aglomeradas para uma caminhada que ia do centro à zona norte.

Havia expectativa de voltar à velha forma nesta terça (2), data reservada há meses para a marcha idealizada há 28 anos pelos fundadores da igreja Renascer em Cristo, o casal Estevam e Sonia Hernandes. A pandemia da Covid-19, contudo, não arrefeceu como esperado, e a ideia foi engavetada.

Mas o estágio atual da crise, de algum controle epidemiológico, bastou para que as instâncias municipais liberassem o que deve ser o primeiro grande evento da capital paulistana -uma série de shows gospel e pregações no sambódromo do Anhembi.

O formato original, com peregrinação de fiéis, não funcionaria porque seria impossível zelar pelo protocolo sanitário apropriado, conforme nota da Secretaria Municipal de Cultura enviada à Folha.

A entrada no Anhembi para ver artistas como Aline Barros e Fernanda Brum exigirá, além do uso da máscara, comprovante de vacinação para maiores de 12 anos, afirma o bispo Ricardo Lima, coordenador do ato. Já crianças mais novas terão que apresentar teste negativo de covid.

Uma saia justa que deve ser evitada: Jair Bolsonaro, que em 2019 virou o primeiro presidente da República a passar pela Marcha, foi convidado, mas não vai, de acordo com o apóstolo Estevam. O mandatário esnobou todos os imunizantes disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde) e, em mais de uma ocasião, espalhou fake news sobre a vacinação, como ao dizer recentemente que a vacina poderia provocar Aids.

Ricardo não quis falar como seria se Bolsonaro confirmasse presença. De forma geral, disse que a igreja sempre apoiou a campanha de imunização. "Todos os nossos líderes se vacinaram. Agora, é foro íntimo querer se vacinar ou não. A gente dá o exemplo."

A Marcha para Jesus costuma acontecer no meio do ano. Em 2020, com o país imerso naquele começo de pandemia, nada aconteceu. Nem poderia, com as regras de isolamento social mais rígidas. O que teve foi uma carreata no fim do ano, também no Dia dos Finados.

Em julho deste ano, com as espetadas no braço ainda ganhando tração, os organizadores tiveram aval para repetir a procissão de carros. Foi quando, em cima do trio elétrico que puxou a legião sobre rodas, Estevam Hernandes bradou: "Que nós possamos ver essa pandemia repreendida".

Havia esperança que, a essa altura, a Marcha pudesse ser retomada. Inclusive, nos bastidores da última carreata, dava-se como certa a participação de Bolsonaro. Organização e autoridades chegaram a um consenso, contudo, que ainda não era hora de abrir mão do controle sanitário, diz o bispo Ricardo.

"Levando o atual cenário pandêmico em consideração, chegou-se a um acordo de que a melhor solução para a realização do evento seria num espaço controlado", afirma a Prefeitura. "Com isso, não houve veto, e sim uma orientação para que o 'Esquenta Marcha para Jesus' não levasse riscos à saúde do público." O prefeito Ricardo Nunes (MDB) é a única autoridade política confirmada até agora.

Com entrada franca e sugestão filantrópica para levar um quilo de alimento, o evento ganhou essa premissa, de ser um "esquenta" para a retomada em 2022. Já há data para a próxima edição: 15 de abril, a Sexta-Feira Santa do feriado de Páscoa. Espera-se que até lá a pandemia já seja página virada.


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