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UFF desenvolve barco autônomo para monitorar poluição das águas


Tânia Rêgo/ Arquivo Agência Brasil
Em meio a críticas sobre a qualidade da água, Baía de Guanabara sediará o primeiro evento-teste para as Olimpíadas de 2016(Tânia Rêgo/Arquivo Agência Brasil)
Crédito: Tânia Rêgo/ Arquivo Agência Brasil

Um barco autônomo, equipado com estação meteorológica e sondas, será capaz de monitorar em tempo real a qualidade das águas da Baía de Guanabara e das lagoas de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O projeto está sendo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e já passou por testes na Baía de Guanabara.

O trabalho envolve estudantes e professores dos Departamentos de Engenharia Elétrica, Engenharia de Recursos Hídricos e Meio Ambiente e do Instituto de Computação da UFF, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), além da empresa Nvidia.

Projeto

De acordo com o coordenador do projeto, professor Daniel Dias, do Departamento de Engenharia Elétrica, o projeto reúne tecnologias de ponta, como a mobilidade autônoma, para realizar funções e atividades de alto impacto social, econômico e ambiental.

“O objetivo inicial era divulgar o uso de fontes alternativas para propulsão elétrica. Entretanto, a colaboração com a engenharia ambiental e a computação ampliou a potência do desenvolvimento tecnológico da pesquisa, principalmente na área de gestão dos recursos hídricos, com o monitoramento da qualidade da água, e da inteligência artificial, que guiará a embarcação”, explicou o professor.

Dias destaca que o veículo autônomo gera praticidade, rapidez e baixo custo ao monitoramento ambiental, possibilitando ampliar os pontos de verificação na Baía de Guanabara e nas lagoas da região.

“É essencial fazer um levantamento de diversos parâmetros, principalmente no fundo da baía, onde existe um grande despejo de lixo químico e industrial. Além disso, pretendemos mapear o relevo do fundo das lagoas para detectar possíveis assoreamentos e como eles ocorrem ao longo do tempo, seus agravos e melhoras”, disse Dias.

Piloto automático

O professor do Instituto de Computação Esteban Clua explica que o piloto automático do barco conta com uma câmera robô que dá mais eficiência e segurança ao protótipo.

“A tecnologia é capaz de reconhecer obstáculos de forma detalhada, saber se um navio está passando, se há pedras ou lixo, e assim consegue fazer desvios. Estamos trabalhando na visão computacional, na programação do comportamento e nos controladores do robô. Já terminamos o protótipo do barco, que recentemente teve um teste de três horas navegando sozinho pela Baía de Guanabara. Neste momento, estamos calibrando as redes neurais robóticas para aperfeiçoar ainda mais a acuracidade da navegação”.

O professor Ivanovich Salcedo, do Departamento de Engenharia Agrícola e Ambiental, o ressalta que os sensores de baixo custo utilizados medem a qualidade da água em tempo real e poderão ser acoplados a outros projetos de monitoramento dos recursos hídricos.

“Inúmeras outras tarefas também podem ser programadas. Uma vez desenvolvida, essa sonda pode ser acoplada a outros tipos de embarcações e missões, o que ajuda a impulsionar o movimento da engenharia de recursos hídricos e meio ambiente”.

Ainda não há previsão de conclusão do projeto. A perspectiva é que o barco inteligente tenha aplicações científicas, ambientais, comerciais e militares.


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