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Ensino a distância deve ganhar espaço na USP, mas não será imposto, diz candidato a reitor

Se escolhido reitor, Hernandes terá a missão de conduzir essa USP mais diversa após quase dois anos em ensino remoto


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Ensino a distância deve ganhar espaço na USP, mas não será imposto, diz candidato a reitor
Crédito: DIVULGAÇÃO

O ensino a distância deve ganhar mais espaço na USP após a pandemia de coronavírus, mas não cabe ao próximo reitor impor algo nesse sentido, afirma o professor Antonio Carlos Hernandes, candidato ao posto máximo da universidade.
Docente do Instituto de Física do campus de São Carlos, ele representa a continuidade da atual gestão, do engenheiro Vahan Agopyan, de quem era vice-reitor até se licenciar para participar do pleito.
Tendo como vice a professora da Faculdade de Odontologia de Bauru Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, Hernandes concorrerá contra outro integrante da gestão Agopyan, o ex-pró-reitor de Pós-Graduação Carlos Gilberto Carlotti Junior.
Seu diferencial em relação ao ex-colega, diz Hernandes, será a experiência e de gestão as relações com o governo do estado e a Assembleia Legislativa para o desenvolvimento de projetos.
Antes de ser vice-reitor, Hernandes foi diretor do Instituto de Física de São Carlos (2010- 2014) e pró-reitor de Graduação de (2014 e 2018).
Durante sua passagem pela pró-Reitoria, a universidade, pressionada havia anos por movimentos estudantis, tomou duas decisões que mudaram consideravelmente o perfil dos alunos: a adesão ao Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e a reserva de vagas para estudantes de escola pública e pretos, pardos e indígenas.
Agora, se escolhido reitor, ele terá a missão de conduzir essa USP mais diversa após quase dois anos de experiência com o ensino remoto.
Hernandes vê vantagens no modelo híbrido, como a possibilidade de participação de docentes dos exterior nas disciplinas, mas afirma que caberá a cada unidade da universidade decidir se ampliará o ensino online.
"Temos mais de cem graduações com realidades distintas, caberá a cada unidade fazer uma reflexão", diz. "Que será diferente eu tenho certeza, como será ainda não se sabe."
Ele aponta ainda entraves na legislação para uma ampliação mais robusta do modelo a distância na graduação. Também por isso, em sua avaliação, as mudanças na área devem ser mais lentas.
"Hoje nosso modelo e nossos contratos são voltados para o presencial", diz.
Já os cursos de extensão podem utilizar o modelo remoto de forma mais acelerada, já que não há limite estabelecido em lei, por exemplo.
Um dos principais pontos do programa da chapa de Hernandes e Machado, chamada Somos USP, é atingir 1 milhão de pessoas de todo o país com cursos de difusão. Para isso, apoia-se no uso intensivo de tecnologia de ensino a distância (EAD).
Assim como seu adversário, que propõe uma Pró-Reitoria específica para lidar com a diversidade, Hernandes também reserva parte de suas propostas ao tema.
Ele promete ampliar as políticas de assistência estudantil, oferecer cursos extras em áreas como inglês e instalar um conselho voltado ao tema, o que seria mais rápido de se fazer do que criar uma pró-Reitoria.
Também se compromete a incentivar a adoção ou ampliação de ações afirmativas na pós-graduação –atualmente, a política da universidade se restringe à graduação, cabendo a cada programa a decisão sobre eventual reserva de vagas a grupos específicos.
Em um cenário de cortes na ciência, a chapa Somos USP diz que, além de se mobilizar pela retomada do financiamento da área, irá, se empossada, criar um programa de bolsas próprias da universidade com essa finalidade.
A medida pode ajudar a ampliar a diversidade na pós, com a formação dos primeiros cotistas. Ela possivelmente também terá efeitos sobre a composição do corpo docente da universidade, majoritariamente branco em todas as unidades.
Diante de um corpo docente que encolheu com o aperto financeiro pelo qual passou a USP –aliviado após um programa de demissão voluntária– a chapa afirma que irá recompor o quadro de professores, dando mais liberdade às unidades para decidir de que forma fazê-lo.
O programa também prevê a recomposição dos salários, que não têm tido reajustes pela inflação, e a criação de novos níveis intermediários de carreira, principalmente para torná-la mais atrativa aos que estão em estágio inicial.
Ainda assim, Hernandes admite que não será possível equiparar os vencimentos aos oferecidos em dólar por empresas e universidades estrangeiras. Áreas do conhecimento como ciências da computação são as que têm perdido mais profissionais por propostas do exterior.
Em um momento de ataques constantes às universidades, Hernandes avalia que é ainda mais importante que a sociedade tenha um sentimento de pertencimento à instituição.
Ele propõe a criação de um programa específico para os estudantes atuarem em cidades
ou comunidades, colocando em prática projetos e ações de interesse desses locais.
Atualmente, já existem projetos nesse sentido, mas a ideia é tornar a iniciativa algo sistemático.
Indagado sobre as eleições de 2022, ele diz desejar novos rumos para o país. "Espero mudança muito grande para trazer educação, ciência e tecnologia como prioridade. Também não podemos mais conviver com esse nível de desigualdade social."
A eleição para a Reitoria da USP ocorrerá no dia 25 de novembro. Votam nela os integrantes do Conselho Universitário, dos Conselhos Centrais, das Congregações das unidades e dos Conselhos Deliberativos dos Museus e dos Institutos Especializados.
A partir do pleito, uma lista tríplice será enviada ao governador João Doria (PSDB), que poderá optar por respeitar ou não a votação ao nomear o reitor.

VEJA ABAIXO ALGUMAS DAS PROPOSTAS DA CHAPA
Reajustar os salários dos docentes e demais servidores, partindo do mínimo da inflação dos dois últimos anos
Implantar Centro de Promoção da Saúde Mental, com atuação em todos os campi
Ampliar as políticas de apoio à permanência estudantil
Criar programa para o desenvolvimento de habilidades práticas, sociais e de carreira, em que os estudantes poderão atuar em projetos de interesse de cidades ou comunidades
Incentivar a criação e ampliação de políticas de ação afirmativa na pós-graduação
Criar bolsas de pesquisa a serem oferecidas pela própria universidade
Atingir 1 milhão de alunos com cursos de difusão


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