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Pronunciamento de Bolsonaro terá crítica a governadores e defesa de suas ações na pandemia

Em um trecho do discurso, o presidente diz que o Brasil é um "exemplo" para o mundo e que está há três anos sem corrupção


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Presidente Jair Bolsonaro
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Em pronunciamento de seis minutos que irá ao ar em cadeia de rádio e TV na noite desta sexta (31), o presidente Jair Bolsonaro voltará a atacar governadores, criticar o passaporte da vacina e defender medidas do governo no combate à pandemia, incluindo as econômicas e de processo de vacinação.

A fala de seis minutos será transmitida às 20h30 e foi gravada na última segunda-feira (27), antes de Bolsonaro viajar para férias em Santa Catarina. Em um trecho do discurso, o presidente diz que o Brasil é um "exemplo" para o mundo e que está há três anos sem corrupção.

O presidente ainda reafirmará seu discurso de que a vacinação de crianças de 5 a 11 anos só deve ocorrer com o consentimento dos pais e prescrição médica, dizendo que a liberdade tem que ser "respeitada". Bolsonaro dirá ainda que escalou ministros para prestar apoio às vítimas das enchentes na Bahia.

Segundo o presidente, suas medidas econômicas evitaram uma quebradeira no país em meio a medidas restritivas de governadores e prefeitos. Na fala, o presidente diz que seu governo socorreu os mais humildes, "abandonados" por estados e municípios, que propagavam, segundo ele, o discurso de "fechar tudo".

Bolsonaro mencionará 380 milhões de doses distribuídas no país contra o coronavírus, alegando que em 2020 não havia vacina disponível. Segundo trecho do pronunciamento, Bolsonaro dirá que "todos os adultos, que assim desejaram" foram vacinados.

Candidato à reeleição em 2022, o presidente enumera no pronunciamento obras de infraestrutura, como a transposição do Rio São Francisco. Cita ainda o Programa Casa Verde e Amarela e o Auxílio Emergencial.

Nesta sexta, pela manhã, Bolsonaro fez uma provocação aos opositores e, em post em suas redes sociais, disse que um panelaço previsto para esta noite será em comemoração a três anos sem corrupção em seu governo.

"Hoje, dia 31 às 20h30, panelaço da esquerda para protestar contra o Governo Bolsonaro por estarmos, há três anos, sem corrupção", escreveu o presidente em suas redes sociais. No mesmo horário, adversários do presidente convocam um panelaço contra Bolsonaro.

No pronunciamento em rádio e TV, Bolsonaro também dirá que não existe corrupção em seu governo.

A realidade, porém, é outra. O combate à corrupção, enaltecido por Bolsonaro, é tratado de maneira pouco enfática no governo. Sempre que confrontado com suspeitas envolvendo aliados, amigos e familiares, o presidente critica imprensa, Ministério Público e Judiciário, enquanto alvos são mantidos nos cargos.

Em novembro de 2018, após eleito, Bolsonaro afirmou que ministros alvo de acusações contundentes deveriam deixar o governo, o que não se concretizou na prática.

O ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), por exemplo, seguiu no governo após ter sido indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas sob acusação de envolvimento no caso das candidaturas laranjas do PSL.

Desde que assumiu a Presidência, Bolsonaro contesta ações de órgãos de controle para investigar seu núcleo familiar, por exemplo.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado em um esquema de "rachadinhas" na Assembleia do Rio. E o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) é suspeito de abrigar funcionários fantasma na Câmara Municipal do Rio.

Foi ainda no primeiro ano de mandato que tomou a decisão que mais impactou a agenda anticorrupção no país, na avaliação da maioria dos especialistas.

Para eles, apesar de legal, a indicação de Augusto Aras para o comando da Procuradoria-Geral da República, ignorando a lista tríplice dos procuradores, feriu a independência que o cargo demanda.

Crítico à atuação da Lava Jato, Aras travou diversas quedas de braço com os procuradores de Curitiba, até que, após um ciclo de desgaste perante à opinião pública e os indícios de parcialidade, a força-tarefa da capital paranaense foi dissolvida sem gerar comoção, como não ocorreria em outros tempos.

No campo político, para evitar a abertura de um processo de impeachment, Bolsonaro intensificou a ampliação de sua base aliada por meio da antes contestada política do tomá lá dá cá, com a entrega de cargos e recursos para parlamentares aliados do governo, em especial do chamado bloco do centrão.

Já na crise da covid, as suspeitas de corrupção no contrato bilionário entre Ministério da Saúde e Precisa Medicamentos foram destaque e inauguraram uma nova fase da CPI da covid, que pediu a punição de Bolsonaro por crimes contra a humanidade, prevaricação e charlatanismo.

A revelação de irregularidades num contrato de R$ 1,61 bilhão, destinado à compra da Covaxin, imunizante mais caro dentre os adquiridos pelo Ministério da Saúde, colocou o governo Bolsonaro na berlinda. Trouxe à tona ainda a existência de um verdadeiro balcão paralelo de vacinas no militarizado ministério.

A soma destes casos levou à demissão de Roberto Ferreira Dias do cargo de diretor de Logística da Saúde. Ele caiu horas após a Folha revelar que Dias, indicado do centrão, teria pedido propina para negociar as doses, segundo o cabo da PM Luiz Dominghetti.

O panelaço convocado para a noite desta sexta-feira ocorre no momento em que o presidente é alvo de críticas por fazer ostentação de seu lazer nas praias de Santa Catarina em meio à tragédia das chuvas na Bahia.

Como mostrou a Folha, as recentes cenas dos momentos de folga de Bolsonaro, enquanto a Bahia enfrenta crise, têm constrangido aliados e membros do governo federal.

Parlamentares da oposição ainda intensificam as críticas e cobram que o mandatário suspenda os dias de praia para liderar a ajuda diante da tragédia na Bahia.

Na última terça-feira (28), por exemplo, a hashtag #BolsonaroVagabund o entrou na lista de "assunto do momento" do Twitter. Já na quinta (30), Bolsonaro andou de trenzinho e participou de um show de derrapagens de carro no parque Beto Carreto.

Recente pesquisa do Datafolha mostrou que, para os brasileiros, Bolsonaro é o pior presidente da história do país. Ele é citado por 48% dos entrevistados, reflexo de sua queda de popularidade em razão da crise econômica e da má gestão da pandemia.

Em entrevista à Folha nesta semana, o governador Rui Costa (PT) diz que o enfrentamento às chuvas que assolam a Bahia e já causaram ao menos 24 mortes é o maior desafio de sua gestão.

As enchentes destruíram estradas, inutilizaram estoques de medicamentos e vacinas e deixaram mais de 90 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas.

Questionado se aguardava a visita do presidente, Costa respondeu que não tinha essa expectativa. "O presidente durante toda a sua gestão demonstrava desprezo em relação à vida humana (...) Ele não demonstra nenhum sentimento em relação à dor do próximo", afirmou o governador.

Bolsonaro viajou a São Francisco do Sul na segunda-feira para passar o Réveillon com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e a filha mais nova, Laura.

Desde que chegou ao local, Bolsonaro fez seguidos passeios de jet ski, provocou aglomerações na praia, visitou uma pizzaria e um parque temático e disse não ter nenhuma intenção de interromper a sua folga no litoral.

 


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